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segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Carta ao Pai:

Eu sei que vai tudo correr bem e que, quando chegar no Sábado à noite, te hei-de encontrar todo drogado e cheio de dores à pala do cateter que te enfiaram pela virilha acima ou, na pior das hipóteses, com um mecanismo qualquer enfiado na artéria para te pôr outra vez em boas condições. Até posso adivinhar que daqui a alguns dias, já andarás por aí a contar a toda a gente a tua mais recente aventura cardio-vascular e, quem sabe, a levares na cabeça da mãe por teres bebido uma cervejinha.

Mas não deixa de ser uma coisa importante e até com alguns riscos. E eu não estarei ao teu lado para te acompanhar. Como a vida é estranha e inesperada, resolvi escrever-te esta, inesperada também, carta para te dizer que vou pensar em ti estes dias todos e que vou pedir para que fiques bom depressa.

Sabes, só perante estas situações é que nós nos apercebemos os quão frágeis podemos ser e, por vezes, o quão injusta a vida também é. Sempre fazendo figas e rezas para que seja só uma história para contar, esta foi a maneira que encontrei para te dizer que gosto muito de ti, que preciso de ti e que não quero que te vás desta para melhor. Continuo a achar que o 10º D ou o 14 das Pedras d´el Rei, o Brasil ou o Burkina Faso, são bem melhores do que uma qualquer Quinta das Tabuletas. E depois aquilo é muito povoado e eu bem sei que tu gostas é de sossego e sem muita gente para te chatear.

Por isso, e resumindo, aguenta mais esta Jonny. Se a coisa der para o torto, não deixes que esse coração te vença. Ele existe para nos fazer viver e sentir, não para matar nem causar sofrimento aos que cá ficam. Usaste-o a vida toda para tocar. Usa-o agora para continuares cá e tocares os outros. Precisamos todos de ti. Todos de amamos à nossa maneira. Não te esqueças da tua neta nem da pulseira com o desejo para ficares bom do coração. Ela quer que a vejas crescer. Ainda tens de a ensinar a tocar violoncelo, lembras-te?

Um beijo do tamanho do mundo e desentope lá isso de maneira segura, tá? E já sabes, se vires a “LUZ”, afasta-te dela!

segunda-feira, 13 de julho de 2009

O Zip casou...

Veio para a nossa família ainda a Lesas era pouco mais que um altinho na minha barriga. Cresceu com ela e não tardou para que fossem dois inseparáveis companheiros de brincadeiras.
Para onde quer que um fosse o outro ia atrás. Quando ela dormia ele ficava ao fundo da cama a velar-lhe o sono. Tão zeloso na sua missão que, por várias vezes, se virou a mim numa notória atitude de protecção. 

Era leal. E paciente. Nem um gemido soltava quando ela, entusiasmada, lhe apertava com força todas as partes do corpo. Corriam juntos pela relva. Eram um do outro. Quando ela ficava doente, ele não a largava nem por um instante. Ao ponto de conter o xi-xi se assim tivesse de ser. Eram um do outro. Um para o outro. Mas quando ele ficou doente, ela nunca mais o viu. Sabia que o Zip tinha um dói-dói na barriga e que estava no Senhor Doutor. Para ficar bom.

Mas o Zip não ficou bom e morreu dias depois da partida da Avó Tita. A "avó velhinha" que ela ainda julga doente, também no Hospital, com o mesmo dói-dói na barriga. Porque eu não sei explicar a morte. Porque não acredito no céu onde tudo é melhor. Porque acreditar nele é aceitar que este é um lugar feio. E até pode ser. Mas é aqui que nascemos para sermos felizes...


E enquanto eu continuava perdida nestas explicações, ou melhor, não sabendo como explicar a morte a uma criança, a mãe Belinha tratou do assunto sem eu saber. Convidou-nos para jantar.
Ainda no elevador, e depois de algumas semanas sem visitar a casa da avó, a Ema pergunta-me se o Zip já está em casa. Eu olho para ela e não sei o que dizer. Mando a procura de respostas para a avó. E então ela abre a porta. A menina olha em volta. Nada. Não há ali nada. Ninguém. Não há Zip. E ela choraminga. De saudades, acho...

- Olha querida, o Zip não vem mais. - Diz a Vó Bé, comovida.
- Porquê?
- Porque o Zip casou. Tem uma namorada e foi viver para a casinha dela...
- Não vem mais?
- Não amiga. Não vem...
- E o dói-dói?
- Ele ficou bom mas tu não o podes ver...
- Eu quero o Zip! - diz ela meio zangada e de beicinho feito.
- O Zip já não vive aqui mas pediu-me para te dizer que gosta muito de ti...
- Mas eu QUERO!!!
- Pediu-me que tu lhe fizesses um favor...
- O quê?
- O Zip, como a tua mamã e o teu papá, teve um filho. E deixou-o aqui para que tratasses dele. 

Nisto abre-se uma porta e lá dentro está uma bolinha de pêlo branca. Mínima. 

-Ò mãe! Olha o filho do Zip! Deixou para a Ema!!! - alegria geral. Toda ela brilhava enquanto era lambuzada pelo bebé cão comprado à pressa.

Eu olho para a mãe. Estou de lágrimas nos olhos. Estamos todos. Agradeço-lhe em silêncio. Pelo luto que fez à pressa. Pelo gesto. Por me ter poupado agora e em todas as vezes que os meus animais morreram. Eu já sabia que os animais não casam. Que não partem para uma casa nova. Mas ali, naquele instante, olhei para o meu passado e parece que, pela primeira vez na vida, tive consciência do que lhes aconteceu. Nunca tinha perdido tempo a pensar nas explicações...

Sabem que mais? Antes isto que o céu. Transferência de afectos? Talvez. Mas isso não me provocou trauma absolutamente nenhum. 

O Zip casou. É mais uma perspectiva da morte. Eu prefiro assim...



terça-feira, 23 de junho de 2009

Adeus Avó...

Esta fotografia foi tirada no final de Outubro, no 2º aniversário da Ema, dois meses antes de a avó Tita completar 85 anos. Foi também a última fotografia que tirámos juntas antes que a doença lhe levasse, para sempre, a memória.

A avó Tita chamava-se, na verdade, Maria da Conceição embora toda a vida tenha sido chamada de Cristina. Contava ela que o nome verdadeiro tinha sido imposto pelo pai, que morreu novo, mas que a mãe, Rosa só de nome porque era uma mulher de pulso, contrariou os registos oficiais e sempre a tratou pelo nome desejado.

A avó Tita casou cedo. Foi a primeira de 7 irmãos. Foi mãe já "velha" para os parâmetros da altura mas teve a minha mãe. Já passara da casa dos 30. Foi a única filha biológica mas teve muitos outros. Do coração. A Lurdinhas, o Zé da Broa, o Manel. De todos foi mãe de acolhimento. Enterrou uma que chegou a perfilhar às portas da morte, tinha apenas 7 anos quando uma leucemia lhe arrancou a vida.

A avó Tita era um festival inteiro numa só pessoa. Nasceu no Beato, naqueles páteos antigos, desde cedo se habituou aos bate-bocas entre vizinhas. Falava alto e gritava ainda mais. Era capaz de levar horas numa acesa troca de insultos com a vizinha do segundo andar. Estando ela na cave...

Ia à Igreja. Para a missa e para a cusquice. Mas ajudava quem nada tinha. Dava roupas e sopas aos pobres e tinha um "amigo" toxicodependente" a quem muitas vezes abria a porta. 

Quando era pequena, e ficava doente, todas as manhãs me trazia à cama uma bola de berlim sem creme e um copo de leite. Quando fazia anos, o ritual era descermos as duas, até à Baixa, e entrar nos Porfírios para comprar a coisa mais espalhafatosa e pirosa que lá existisse. Fez questão de me vestir na primeira comunhão. Ofereceu-me o meu primeiro vestido de noiva. Por mim escondeu uma boneca que cantava, entre as pernas, quando passou a fronteira de Ceuta para Espanha. 

A avó Tita gostava de me pentear os cabelos. Foi ela quem me pôs Quitoso quando apanhei piolhos na sua horta de feijões. Foi ela quem me enxugou as muitas lágrimas da infância.

Como já disse, a avó Tita tinha muitos irmãos e irmãs. Havia um, o Zacarias, de quem gostava especialmente. Tanto que passavam as tardes a beber Martinis com torradas quando ele foi viver para casa dela, tempos anos de morrer atropelado.

"A velha é vivaça!". Passávamos o tempo a dizer-lhe isto. Contava histórias mirabolantes! Fazia-se sempre de desentendida mas todos lhe conheciam o truque. Sabia fazer rir como poucos. Até desdentada era bonita. Gostava das jantaradas e mais ainda dos copos. Wisky fazia bem ao coração. O Porto era digestivo. O vinho dava com tudo, o Martini era para começar, o Champanhe para festejar. Sempre de penalty e com um grande suspiro de satisfação.

A avó Tita não sabia ler nem escrever. Mas aprendeu a copiar as letras do nome dela. Ensinei eu, quando também me ensinavam a mim. Consumia telenovelas e gostava de mandar palpites aos actores. Discutia com a televisão. Ia votar e sabia a quem e porquê dava o voto. Tinha sempre argumento e opinião. Às vezes o marido, o "Nino" como ela lhe chamava, mandava-a calar com os disparates. E ela respondia. Como daquela vez, por ele achar o peixe demasiado salgado, ela o atirou à parede, em sinal de protesto.

O Nino partiu à 7 anos. E no dia do seu funeral, a avó Tita entrou na primeira tasca e aviou um Martini em memória da sua alma. Uma semana depois, foi escondida ao Politeama ver o "Amália" porque gostava muito do sr. La Féria que chegou a conhecer algum tempo depois, quando fez 82 anos e foi ao novo musical do encenador que lhe ofereceu os bilhetes para o dia de anos.

São muitas e boas as memórias que a avó Tita deixou a uma família inteira. Porque a avó Tita partiu no Domingo. Porque hoje a acompanhámos na última viagem terrena. Em sua memória, hoje brindarei com um Martini. Porque ela iria gostar que assim fosse.

Adeus Avó Tita...

segunda-feira, 1 de junho de 2009

O dia também é meu!

quarta-feira, 27 de maio de 2009

Fora de mim

Nenhuma criança deveria passar, alguma vez na vida, por uma violência destas.
Estou completamente indignada e revoltada com o caso Alexandra.
Como é que alguém foi capaz de autorizar que se retirasse a guarda desta criança a quem lhe deu amor, colo, bem-estar e segurança para a entregar a uma mãe que, para além de aparentar aquilo que deve ser, quase a espanca quando a ouve chamar pelo nome da VERDADEIRA MÃE?
Onde está o amor? A tolerância? O respeito? O entendimento que se deve ter com um menor que acaba por perder as referências? O chão? Em vez de beijar dá palmadas?!?
Como é que isto é possível? Que se voltem a repetir casos como o da Esmeralda? Que se arranquem lágrimas e um futuro a uma criança? Será que ainda não aprendemos com os erros do passado? Passado recente?!?
É tão mais fácil "empandeirar" a menina para a Rússia, não é? Como é que os responsáveis conseguirão dormir à noite? Como é que olham para os seus próprios filhos? Será que, por um instante, pensaram que esta menina poderia ser filha deles?
O que é feito do bom-senso? Dos interesses superiores de um menor? O que me importa a mim se a mãe é russa? Mãe é quem cuida. Mãe é a coitada da senhora a quem a Rússina negou um visto!!!
Realmente...estou fora de mim. Não consigo apagar as imagens da entrega da Alexandra. O choro. O pânico. O desgosto de quem ficou para trás. Mais ainda... a forma violenta e cruel com que a suposta mãe tratou a menina em plena televisão!!!
Não sou muito dada a estas coisas mas lanço aqui o repto de assinarem a petição internacional a favor da Alexandra. Se quem nos representa fez asneira, cabe a nós, os excluídos destas decisões, pelo menos nos fazermos ouvir. Passem isto se quiserem. A Alexandra com certeza que agradece!

http://www.gopetition.com/online/28077/signatures.html

terça-feira, 26 de maio de 2009

Mais um!

Hoje acordei com 32!

segunda-feira, 11 de maio de 2009

Alhos com bugalhos = trabalhos!


Isto é um alho. Poderia ser uma pergunta minha...

E isto é um bugalho. Que poderia ser uma resposta de um entrevistado.

Nunca a combinação das duas foi tão explícita como a minha entrevista de hoje. Surreal. É tudo o que tenho para dizer... É um Xanax, por favor!

domingo, 10 de maio de 2009

O fruto continua apetecido...mas já não é proibido!



Deve ser a maçã mais apetecível do mundo. Não tenho grandes dúvidas. Eu gosto da Apple e mais ainda dos seus computadores. Todos!


E depois do Ipod, do IPhone e de ANOSSSSS a desejar ter um MAC, eis que, a menos de um mês de fazer anos, antes até do dia da mãe, o maridão fez-me a surpresa e levou-me à loja para eu escolher o meu "precioso".
Agora é dele que vos escrevo. Dele sairão vários projectos em agenda e, finalmente, a edição dos meus vídeos que, para quem não sabe, é outra das minhas paixões. A seguir ao Mac, claro!

Marido...se aqui vieres espreitar, OBRIGADA pelo presente. Até pelas lágrimas que puseram meia loja a olhar para mim :)

sexta-feira, 8 de maio de 2009

Amor de mãe

Ao fim de uma semana fechada em casa, confesso que a imaginação começa a falhar no que respeita a entreter uma criança que, todos os dias ao acordar, a primeira coisa que me pergunta é "Mamã, onde é que vamos hoje?".

Fazem-se colares de massa, experiências doceiras no forno, contam-se histórias, inventam-se outras mil, pintamos, colamos, recortamos. Brinca-se ao faz de conta. Acho que se faz tudo para não ler no rosto de um filho a tristeza de estar encarcerado. De não poder estar com outros meninos. Sair, correr, viver lá fora...

Faz-se tanto que, por vezes, como ontem, o tanto passa a demais. Excesso de estímulo. Demasiada energia a querer sair por todos os poros. Excitex ao máximo. Um dia inteiro sem dormir, ainda fraca pela doença, meio drogada com o Atarax. Uma correria sem sapatos, num chão deslizante, fez com que batesse com a cabeça na esquina da mesa.

Choro por breves segundos. De seguida, adormece profundamente nos meus braços. Levo-a para a cama. Estática. Sem reacção. E eu começo a rever aqueles conceitos básicos de segurança. O que fazer em caso de queda. O coração está a mil. Chamo por ela. Descalço-a e belisco-lhe os pés para que reaja. Grito mais alto. Abano. Nada...

Imóvel, a pequenina continua assim. Demasiado quieta. Demasiado alheia. As lágrimas correm-me pela cara. Tremo. Pego no telefone. O médico manda-me correr para o Hospital. Ela na cama, eu a chorar, a agradecer e a pedir desculpa pelo incómodo. O pai que chega e que entra em pânico. A avó que está aflita, do outro lado da linha.

Já nos braços do pai, à saida de casa, ela finalmente acorda. Sorri e diz que está cansada. E eu desfaço-me em novas lágrimas que me atiram para um estado estranho, um misto de alívio, de culpa, de tensão que desaba. Não consigo falar. Apetece-me ficar abraçada a ela para sempre. Choro porque está bem. Choro por aquilo que poderia ter acontecido. Choro porque sei que existem coisas que não dependem de nós e que o controlo das situações é apenas uma utopia.

Choro porque a amo demais. Porque hoje foi um susto mas amanhã pode não ser. Não será quando a vida lhe der as quedas dela. Porque existem traumatismos mais graves que os cranianos. E eu não posso evitar nada...

Amor de mãe. É lindo. E lixado...

terça-feira, 5 de maio de 2009

Coça coça comichão!

Pois é... cá estou eu a passar mais uma etapa do fabuloso mundo da maternidade e das doenças infantis! Depois de algum tempo sem escrever, volto com novas. Não das boas...
 
Tudo começou com uma bolhinha assim, que eu não soube identificar, e acabou com uma semana de baixa, fechada em casa e privada da luz solar, com a princesa cheia de varicela.

Estamos de quarentena. Passamos os dias a escrever histórias sobre as bolinhas que não se devem coçar apesar da comichão. Tomamos 5 mil banhos aos dia, cheios de farinha maizena (quem diria!) para atenuar o ardor. A mãe dá colinho e muitos beijinhos quando o sofrimento vem em forma de choro. Litradas de Betadine e camadas de cremes caríssimos para evitar as marcas futuras...

E no meio de tudo isto...o que mais me assusta é que também eu poderei ficar às bolinhas....é que a Mammy nunca teve varicela e não consegue ficar nem um minuto sem abraçar a sua cria que, mesmo sarapintada e em chagas, lhe continua a parecer o ser humano mais bonito à face da terra!

sexta-feira, 17 de abril de 2009

Orgulhosamente baleia!

Em vésperas de fim-de-semana, costumo ser invadida por estes mails que apelam à boa disposição. Depois de ler este, não resisti. SOU BALEIA! E vocês meninas?

"Há uns dias, numa cidade de França, um cartaz, com uma jovem espectacular, na montra de um ginásio, dizia: "ESTE VERÃO, QUERES SER SEREIA OU BALEIA?"

Dizem que uma mulher jovem-madura, cujas características físicas não interessam, respondeu à pergunta publicitária nestes termos:

"Estimados Senhores: As baleias estão sempre rodeadas de amigos (golfinhos, leões-marinhos, humanos curiosos). Têm uma vida sexual muito activa, engravidam e têm baleiazinhas ternurentas, às quais amamentam. Divertem-se à brava com os golfinhos, enchendo a barriga de camarões. Brincam e nadam, sulcando os mares, conhecendo lugares tão maravilhosos como a Patagónia, o mar de Barens ou os recifes de coral da Polinésia.

As baleias cantam muito bem e até gravam CD's. São impressionantes e practicamente não têm outros predadores além dos humanos. São queridas, defendidas e admiradas por quase toda a gente.

As sereias não existem. E, se existissem, fariam fila nas consultas dos psicanalistas, porque teríam um grave problema de personalidade, "mulher ou peixe?". Não têm vida sexual, porque matam os homens que delas se aproximam, além disso, por onde? Por isso, também não têm filhos. São bonitas, é verdade, mas solitárias e tristes.

Além disso, quem quereria aproximar-se de uma rapariga que cheira a peixaria? Para mim está claro, quero ser baleia.

P.S.: Nesta época em que os meios de comunicação nos metem na cabeça a ideia de que apenas as magras são bonitas, prefiro disfrutar de um gelado com os meus filhos, de um bom jantar com um homem que me faça vibrar, de um café e bolos com os meus amigos.

Com o tempo ganhamos peso, porque ao acumular tanta informação na cabeça, quando já não cabe, espalha-se pelo resto do corpo, por isso não estamos gordas, somos tremendamente cultas. A partir de hoje, quando vir o meu rabo no espelhos, pensarei, Meu Deus, que inteligente que sou..."

segunda-feira, 6 de abril de 2009

Notícias do passado

Encontrávamo-nos sempre no Verão. Quando as aulas acabavam e os pais ainda trabalhavam. Cheirava a mar, a aventura, a dias longe de casa, a trocas de roupa para os jantares na cantina de bancos corridos. Fazíamos as malas com dias de antecedência. Porque era grande a vontade de partir e muita a pressa de chegar. Pelo meio trocavam-se cartas com planos sobre certas coisas. Acontecimentos. Rapazes. Sonhos e ideias.
E então chegava o dia. Aquela manhã, quase de madrugada, em que nos reencontrávamos ao fim de um ano de correspondência, onde os corpos se apertavam para esmagar a saudade e a ausência. Tínhamos crescido. Mas continuávamos na mesma. Talvez crescêssemos juntos. À distância. Todos nós que ano após ano, religiosamente, marcávamos férias de pais, na mesma quinzena, para continuar a viver a ilusão de continuar o que o ano anterior tinha deixado por resolver.
Depois crescemos mais. Acabaram-se os campos de férias a centenas de quilómetros de distância de casa. As cartas escassearam e, um dia, deixaram de existir. Perderam-se rastros. Cada um seguiu o seu caminho, noutos lugares, com outras pessoas, noutros Verões. Guardei as cartas numa caixa. O livro de moradas. O das dedicatórias. As fotografias.

Passei para o Alentejo. Nas tardes quentes de Agosto encontei uma companheira de novas aventuras. Roubávamos melancias que comíamos, quentes, à sobra de uma casa caiada de branco. Bebíamos água fresca do poço do jardim à noite. Marcávamos encontros com namoricos que surgiam nas danças de bailes de aldeia. Fumámos os primeiros cigarros. Tossimos. Voltámos a repetir até parecermos senhoras a sério.

Um dia crescemos. Outra vez. E a vida mandou-a para outra cidade, já não ía a casa nas férias. E eu não quis voltar sozinha ao lugar onde fui tão feliz... :)

Na semana passada, a vida fez-me reencontrar a L. e a S. Por um feliz acaso.
A menina loirinha e gordinha das cartas é hoje uma linda mulher, orgulhosamente grávida, com o mesmo olhar de menina. É feliz. Percebe-se.
A menina franzina, pele morena e cabelo curto, ainda vive na cidade para onde partiu à tantos anos. Continua igual a si mesma. Sorriso travesso. Estouvada mas adorada.

Abri as caixas do meu passado. Que bom! Hoje têm cheiro a presente! E mais: como acasos destes são uma benção, reencontros com mais de 20 anos, sei que daqui se fará futuro.
Hoje estou feliz...

quarta-feira, 11 de março de 2009

Vencida pelo cansaço

- Não quero esta! Quero a cama grande! - Refilava ela, braços cruzados, firme na afirmação e postura.
- Mas tu não tens outra! Esta é a tua cama... - Dizia eu divertida
- Esta não!
- Mas qual então?
- A grande!!! - bate o pé
- Qual grande? A da mãe?
- Não!!! A grande mamã! A dos meninos!
- Quais meninos? - pergunto já a perder a paciência
- Grandes!!!
- Tu não conheces meninos grandes...
- A Ema quer dormir na cama grande dos meninos!!!!!!!
- Não há. Hoje dormes na tua...
- Quero a cama "cô de rója"! Grande!
- Ah tá...amanhã a mãe compra.

Claro que a mãe não comprou. E por isso passou 4 noites quase em branco a ouvir a lengalenga.
Com umas olheiras até ao chão...hoje eu cedo. Vencida pelo cansaço...hoje vou comprar a cama CÔ DE RÓJA GRANDE DOS MENINOS ;)

sexta-feira, 6 de março de 2009

A viajar na maionese

Eu nem sou destas coisas de jogos da sorte mas a verdade é que esta semana tenho 100 MILHÕES de razões para arriscar...
Eu pecadora me confesso: investi 4 Euros para me tornar uma excêntrica!!!
Se não me encontrarem por aqui nas próximas semanas ficam a saber que provavelmente estou a pintar as unhas dos pés na Plonésia Francesa, tá?

quinta-feira, 5 de março de 2009

Vamos lá a ver se nos entendemos...

RABANADA: Fatia de pão frita em azeite ou outra gordura, envolvida em ovos e depois molhada em azeite ou água, polvilhada com açúcar e canela.



RAJADA: Ventania forte e violenta; lufada; ímpeto; rasgo de eloquência.

É que, num dia como este, chateia-me um bocado imaginar-me a levar com uma fatia de pão altamente calórica e gordurosa nas trombas...

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

Mammy paparazzi

Pensava eu que seria uma manhã de sexta-feira aparentemente tranquila.
Pipoca mascarada do infantário, manhã livre só para mim. Cabeleireiro, manicure e depilação planeadas, quem sabe até um almoço light com alguma amiga....Tempo de sobra para fazer as malas para um fim-de-semana prolongado a Sul...e tudo isto antes de ir trabalhar.

Pensava...
Chego à escolinha e deparo-me com um cenário meio estranho: todas as mamãs à porta, algumas dentro dos monovolumes, outras atrás das àrvores. À espera... Ok, eu sabia que os meninos iriam desfilar no bairro mas não sabia que meio mundo havia tirado meio dia de férias para os acompanhar na voltinha!!!
E ao que parecia, munidas de máquinas de grandes objectivas, a participação não me soava assim muito bem...

Entrei com a minha "Pinchêza das fêlores" pla mão, toda ela de rosa e verde choque, coberta de fitas por todos os lados, com o Noddy igualmente mascarado nos mesmos tons, e saí de mansinho. "Vou mas é tomar uma bica", pensei, e arranquei, deixando as mães a olhar para mim de soslaio.

Na esplanada encontro uma cara familiar. Achava...não sei, com os óculos de sol abelha, uma mala a cobrir o corpo arqueado e com uma objectiva ENORMEEEE não dava para ter a certeza absoluta. Mas sim...era a mãe da Constança!!!

Atacada por uma crise de remorsos, devorei um cigarro, deixei cair os planos por terra e mandei-me para casa, a correr, porque sim, eu também tenho uma máquina muita grande com uma objectiva que mais parece um canhão!!!

E pronto...aqui está uma pequena amostra do meu dia como paparazzi, escondida nos arbustos, árvores, traseiras de automóveis, terrenos baldios e velhinhas comovidas com a criançada que passava, para capturar os momentos "kodak"...para mais tarde recordar.

Confesso que não gosto do Carnaval. Muito menos de correr de saltos altos nem de estragar botas caríssimas no meio da terra mas... no final a manhã foi melhor que qualquer um dos meus planos iniciais. Ver a pipoca tão feliz e bem comportada foi um bálsamo para esta Alma de mãe hiper-babada :)

Já agora, a "piquena" é a que vai de rosa, de mão dada à frente da educadora :) Já só levava meio fato. A bandolete e a varinha cheia de fitas que eu fiz deviam tapar-lhe o campo de visão... :)

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

O Carnaval e as birras...

- Mãe, leva aí um papelinho na mochila por causa da festinha de Carnaval na sexta, tá?

- TÁ!!! Já agora, não tem por aí um Valium? É que este ano não consigo convecer a miúda a mascarar-se!!! - Isto foi o que eu pensei mas, da boca, apenas me saiu uma espécie de "Ah", de como quem diz, "Claro! Cá estaremos mais enfeitadas que nunca!"

O drama: não a fatiota ( que essa foi carinhosamente oferecida por uma das "tias") mas... alguém sabe como é que se convence uma criança a vestir o que não quer?!?

Conversa em casa:

Mammy - Olha que lindo fato!!! De princesa! Queres vestir?
Lesas - NÃO!!!
M - Vá lá! Só para a mãe ver...
L - NÃO!!!
M -Um bocadinho?
L- A Ema não quer!!!
M - Mas depois os meninos vão mascarados à festa e tu não!
L- Não quer!!!
M - O João... A Cosntança...
L - A Ema não!!!
M - Não gostas do fato?
L - Não!!! ( já amuada e de braços cruzados)
M - Queres outro?
L -NÃO!!!
M - De Ursa Teresa?
L - NÃO!
M - Fada?
Silêncio
M - Noddy!
L - A Ema não quer mamã!!!
M- Então queres ir mascarada a quê?
L - A Ema mamã... A Ema....

Ok...o argumento convenceu-me.
Pelo sim pelo não... vou-lhe fazer um fato de galinha como este aqui em cima... Já vi que a princesa não é dada a contos de fadas... :)

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

Mammy e o Farandol...

Este era mais ou menos o aspecto da Mammy antes...
Do momento de insanidade mental que me assolou na última ida ao cabeleireiro. Agora estou assim:
Socorro!!!

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

IUPIII!!!

Porque já todos merecemos dias assim!!!

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

Pequenina mas esperta!

Não resisto! Como hiper-mãe babada que sou tenho de partilhar esta!

Esta manhã estava eu a vestir os collants à pequenina quando ela olha para mim e diz:
- Mãe? Hoje vamos À escola?
- A Ema vai...a mãe não...
- Não vai?
- Não querida...
- A Ema não quer ir à escola!
- Mas tens de ir bebé!
- A Ema quer ir à vida! ( É o que lhe digo todas as manhãs para sairmos de casa sem birras)
- Mas a vida da Ema é ir à escola!
- E a mãe?
- A vida da mãe é ir trabalhar!
- A Ema vai com a mãe?
- Não, bebé! Trabalhar é uma chatice!
- Uma chatice!!! ( repete ela muito enfadada como eu)
- Pois é...

Uns segundos de silêncio, cara fechada e pensativa, e depois a tirada genial:

- Então a Ema quer ir para a escola...

Ah pois é! É pequenina mas esperta!!! Que fosse a mãe para a chatice que é o trabalho que ao menos na escola há ramboia o dia inteiro!!!

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

Dias estranhos

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

Só para que conste...

A minha pipoca já usa o bacio!!!
Eu sei que isto não tem relevância absolutamente nenhuma para a Humanidade mas, no MEU MUNDO, é uma coisa muito solene e muito importante :)

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

Pai sofre!!!

Em véspera de fim-de-semana, eis o telefonema delicioso que acabámos de ouvir: O João Paulo, nosso colega e apresentador, tem dois "pré-adolescentes" (dizem eles ao pai) que estão sozinhos em casa e, ao que parece, prontos para uma partidinha de Playsation.

JP- E já lancharam?
Pausa para ouvir a resposta
JP - Jogam mas só um bocadinho. Qual é que escolheram?
Nova pausa
JP- Mas não há nenhum jogo bíblico? Eu preferia...
Pausa
JP - Nem com Moisés?
Pausa
JP- Vejam lá o que é que escolhem. O pai gosta muito daquele da Fifa...

E o telefonema termina com as habituais recomendações...

Ai João Paulo! A tecnologia minou-te o lar! E com tanta oferta... Acho que nenhum santo te pode valer! Pai sofre!!!

Bom fim de semana a todos!

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

Quando a memória morre...

No passado Junho a avó caiu e foi parar ao Hospital. Tinha um coágulo na cabeça e um diagnóstico de Alzheimer que era desconhecido até então.

A avó fez 85 anos em Dezembro e nesse dia recebeu a primeira visita do lado visível da doença. Foi um dia rodeado de familiares e de amigos mas, para ela, foi um dia de regresso ao passado, um passado tão longínquo que ninguém soube identificar quem era a "Paulinha", nome que me chamou até à exaustão.

Depois veio o Natal. Como sempre na minha casa. Uma casa que ela não reconheceu nem sentiu como dela. Falou sozinha. De eposódios que ninguém conhecia. Do marido que já partiu mas que ela, naquela noite, fez questão de convidar. A avó já usa fraldas e não gosta de se sentir molhada. As faculdades estão muito longe de serem as de outrora, mas, ainda assim, deu-me a sensação de que ainda tem alguns resquícios de dignidade porque foi procurar as fraldas da bisneta e quis enfiar-se numa a todo o custo.

A meio do jantar, a avó olha para mim com os olhos arregalados. Deslumbramento, clic, lucidez. Por momentos, a avó levanta-se na minha direcção. O ar terno de sempre. " Estás a gostar do jantar, filha? Está tudo óptimo!" . Eu respondo optimista, ainda tentando deslindar se a memória voltou ou se é mais uma partida das células que estão a morrer. Mas não. A avó regressou a nós. E está feliz. Nós também.

"Já tens namorado Paulinha?". Minutos depois todas as expectativas caem por terra.

No Sábado estava óptima. Domingo encontrámo-la amarrada a um cadeirão. A avó está num lar. Não porque queiramos mas porque tem de ser...
Ao seu lado está uma das irmãs que suplica para que ela lhe diga o seu nome.
"Maria...como é que eu me chamo? Diz o meu nome mana!" . A tia está envelhecida e lívida. Não entende a doença nem percebe porque é que a irmã não se lembra dela.

A avó fala baixinho. Murmura coisas imperceptíveis. Umas atrás das outras. Vomita memórias e ladaínhas. Leva a pele das mãos à boca. Volta a olhar e há vazio nos olhos cor de mel. Percebo que nada reconhece. Parou no tempo. Lá atrás. Tremo. As lágrimas abeiram-se dos olhos. Mas há que ser forte por quem está mais fraco. Calço-lhe as meias que atirou para longe. Agora treme de frio e os pés estão gelados. Sei que não ficarão por muito tempo mas insisto.

Continua a remoer palavras, fala para dentro e ri. De quê? Ninguém sabe. A boca sem dentes escancarada. Mas a beleza continua ali, naquela pele que as rugas pouparam. O brilho jovem da tez...o cabelinho branco enrolado em caracóis perfeitos.

Pego-lhe nas mãos. Têm bolinhas da idade. No anelar o brilhante verde de sempre. A avó pega também nas minhas mãos e vai subindo com elas, devagarinho, até aos botões do punho do casaco. Agrada-me a sensação. Mas a boca encaminha-se para o botão e começa a sugá-lo como um bebé suga o biberão. Isto, sim. Isto choca-me. E deixa-me desarmada.

"O chá está quente" responde ela à pergunta que não quis fazer. Depois disto, fugi. Fui eu que não aguentei. E desfiz-me à saída.

Ontem a avó foi para o hospital. Está tudo bem agora mas "as células estão a morrer" diz o médico. Fica em observação. E eu fico aqui, sem saber como lidar com a morte da memória, com os últimos suspiros daquilo que nos liga ao mundo...

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

Querido parti a casa!

Pois o episódio de hoje é assim uma espécie de misto entre "Querido mudei a casa" e "Extreme Makeover"... a única diferença é que não tenho uma Sofia Carvalho nem um Ty... mas tenho uma Belinha (nome da mãe) cujos processos de planificação e execução de uma obra em casa dispensam grandes reflexões.

Ora imaginem: Mammy ao telefone com a Belinha na segunda-feira à noite:

M- Ai mãe! A sala está tão fria! Tive de usar a lareira e um aquecedor para aquecê-la!
B- Tens de dar um jeito à sala! Olha a menina! Pode constipar-se!
M- Pois... lá para a Primavera penso nisso. Gostava de pôr chão flutuante e, assim como assim, dava cabo do hall de entrada e fazia um open space...
B- Isso era o máximo!
M- E tirava a lareira!
B- Sim, essa coisa é medonha!
M- Pirosa!
B- Tira!
M- E punha aqui um papel de parede...
B- Mas com pinta!
M- Claro!
B- E mudavas as portas para os quartos e a da cozinha!
M- Não tinha pensado nisso mas...tens razão! Belinha, já te ligo, a Ema pendurou-se na mesa!

O devaneio morre. Penso eu.

Terça-feira à noite: Belinha liga do Algarve (está de férias)
B - Não digas nada antes de eu terminar! Falei com o Sr. Carlos!
M - Quem?
B- O sr. que me remodelou a casa!
M - Está tudo bem?
B - Falei-lhe da tua casa! Ele faz e o preço é dado! Manda a baixo, pinta, põe chão, portas...tudo menos papel!
M - E então?
B - Começa na quinta de manhã!
M - Ó mãe mas eu agora...
B - Tá em saldos! Com materais e tudo!
M - Tenho de falar com o marido...
B - Ele já sabe!

Ah....

Ontem fui trabalhar. O dia todo. À noite estive a escolher o chão. E a empilhar móveis e caixas no escritório e na cozinha. E a fazer as malas. Vou para casa da mãe...

A obra arrancou hoje às 8 da manhã. Às 9 já não tinha lareira :)

sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

Se eu fosse um pinguim...


Tenho a certeza que hoje bateria palminhas...

Mas como não sou... sou apenas uma jornalista infeliz que vai passar o dia na rua... estou mais assim:

Como eu ODEIO o frio!!!